Investir em longo prazo e compreender as realidades locais são fundamentais para redistribuir poder

maio 8, 2025

Crédito: GIFE

Para fortalecer as relações entre investidores e as comunidades, é necessário compreender as prioridades dos territórios e pensar a continuidade na gestão de recursos

Os desafios de enfrentar desequilíbrios e assimetrias na relação entre a filantropia e o Investimento Social Privado (ISP) com os fundos territoriais e iniciativas comunitárias. Esse foi o tema da mesa: Modelos participativos de doação e financiamento: desafios e potências para a redistribuição de poder, conhecimento e riquezas, durante o 13º Congresso GIFE.

Abrindo a discussão, Guiné Silva, da Fundação Tide Setubal, ressaltou a importância de investimentos em longo prazo para fortalecer fundos territoriais. “Para isso, são fundamentais propostas voltadas ao bem-viver pautadas em relações de confiança”, apontou.

Aliado a isso, Mahryan Sampaio, presidenta do Fundo Brasileiro de Educação Ambiental, destacou a importância de se manter um olhar qualificado para marcadores sociais da diferença. “A comunidade tem não só o poder, a habilidade e a consciência de gerir o recurso, mas também de fazer diagnóstico do que é prioritário a partir da realidade local”, explicou.

Nessa direção, Marcelle Decothé, da Iniciativa Pipa, citou o Guia das Periferias para Doadores como uma iniciativa que busca reverter a lógica de financiadores que chegam com uma agenda já definida nos territórios. “É preciso que o dinheiro não seja o fim, porque o fim é a superação das desigualdades”, ponderou.

Considerando isso, Carlos Jorge, da iniciativa Mundaú Mundo, cita que outros capitais são também importantes na filantropia para fortalecer o trabalho comunitário. “Não só o dinheiro, mas o conhecimento nos faz chegar a lugares antes inacessíveis”, exemplificou.

Camila Haddad, da Iniciativa Próspera Social, tratou dos esforços para mudar os apoios com mais confiança e flexibilidade. “Começamos a perceber que, para diminuir assimetrias de poder, são  importantes parcerias a longo prazo”.

Citado por Guiné Silva e Marcelle Decothé, o pensamento do intelectual quilombola Nêgo Bispo marcou o debate sobre a necessidade de repensar as estruturas do financiamento, a partir de um pensamento que descoloniza estruturas e permite a criação de laços de confiança.

Guia aponta caminhos para investimentos para e com juventudes

Crédito: GIFE

Estudo é uma iniciativa da Rede Temática de Juventudes do GIFE e aborda o debate a partir de cinco dimensões: políticas públicas, experiência de vida, território, recursos  e diversidade 

Um material acessível, didático e que discute uma destinação de recursos mais expressiva, com participação efetiva. Esse é o debate trazido na pesquisa Juventudes no Brasil: Guia de Diretrizes, Estratégias e Boas Práticas de Investimento Social Privado para e com as Juventudes, lançada nesta quarta (7), no 13º Congresso GIFE.

Julia Tavares, gerente de comunicação da Fundação Otacílio Coser, aponta o papel das empresas como apoiadoras de projetos para as juventudes. “Temos a responsabilidade de trazer as empresas para esse debate, para que elas entendam que também são responsáveis por enfrentar os desafios estruturais.”

Para isso, Larissa Fontana, secretária-executiva do Em Movimento, indica que é preciso deslocar a concepção de juventude como “grupo que precisa de assistência para outra, de que as juventudes podem/devem ser protagonistas das ações”. No mesmo sentido, Rafaela Canela, da Fundação FEAC, defende a capacidade das juventudes de liderar projetos e que “é preciso escutar” essa população para que os financiadores não sejam as pessoas que vão apenas ditar onde serão investidos os recursos.

A líder do programa Juventudes Potentes, Nayara Bazzoli, explica que é impossível falar sobre ISP sem falar de riscos. “Uma organização sozinha corre determinado risco, mas se ela compartilha (projetos), tem mais impacto, mais atendimento”, exemplifica.

Uma das formas de contribuição, segundo Marcelo Bentes, da Fundação Roberto Marinho, é preparar as juventudes para os espaços de debates. “Podemos fomentar nos jovens o seu poder de argumentação e influência na mudança da realidade”, detalha.

Outro caminho possível, na visão de Carla Francischette, integrante do grupo de jovens pesquisadores do Guia, é tornar os processos mais amigáveis, menos burocráticos, mais ágeis. “No Juventudes Potentes, a gente tem um edital facilitado, com linguagem simples. Buscamos um equilíbrio entre a necessidade dos documentos e a facilidade para quem está na ponta”, detalha.

Debate ressaltou a importância da busca por um protagonismo efetivo, feito para/com as juventudes, setor ainda com forte potencial de destinação de recursos na filantropia e no Investimento Social Privado (ISP).

Inscrições para 2ª edição do Mapeamento pelas Juventudes
Diante da complexa experiência de vida das juventudes mais afastadas de oportunidades dignas no mundo do trabalho, um dos insights apontados pelo Guia de Diretrizes, Estratégias e Boas Práticas de Investimento Social Privado para e com as Juventudes é a necessidade de ampliar soluções mais integradas, colaborativas e sustentáveis.

Para contribuir com esse desafio, também durante o painel, a Fundação Otacílio Coser anunciou o início das inscrições para a nova edição do Mapeamento pelas Juventudes. Realizada pela Fundação Otacílio Coser, com apoio do GIFE, do Catalyst Now e da Fundação Roberto Marinho, a iniciativa busca dar visibilidade e ampliar as conexões entre iniciativas voltadas à geração de oportunidades para as juventudes em todo o país.

Podem se inscrever organizações sem fins lucrativos dedicadas à empregabilidade, ao empreendedorismo e à formação de jovens em diversos campos, incluindo ONGs, institutos e fundações empresariais, familiares e independentes. As inscrições vão até 13 de junho, aqui.

Imaginar e criar novos mundos, incluir e não recuar: 13º Congresso GIFE debate maneiras de mobilizar em meio a crises

maio 7, 2025

Crédito: GIFE

Como responder a um cenário de transformações globais, como a crise climática, o avanço tecnológico e a concentração de riquezas 

Mergulhar no atual contexto nacional e internacional por diferentes perspectivas, e olhar para o presente imaginando o futuro. Nessa direção seguiu a primeira Plenária do 13º Congresso GIFE, realizada nesta quarta-feira (7), intitulada Conjuntura internacional e contexto Brasil – Afinal, que país queremos?. Com mediação de Marcelo Furtado, head de Sustentabilidade da Itaúsa e diretor-executivo do Instituto Itaúsa, a discussão buscou traçar formas de mobilizar indivíduos, instituições e fundações para a filantropia em meio a uma turbulência de diferentes crises – política, climática e educacional. “O mundo mudou, e nada vai voltar a ser como antes”, disse Furtado.

Átila Roque, diretor da Fundação Ford no Brasil, chamou a atenção para a necessidade de reimaginar o mundo a partir de valores e princípios que não nos capturem pelos medos que enfrentamos no dia a dia, e fazer isso sem recuar. “Nossos valores nunca foram questionados de maneira tão dura.”

Nesse sentido, Bianca Santana, escritora e jornalista, afirmou que o momento é de praticar a coragem de assumir riscos na criação de soluções e mudanças. Ela acrescentou que essas transformações requerem investimento e confiança contínuos, não apenas pontuais. Como no caso da tecnologia, onde muito se falava em inclusão digital, mas pouco se investia em um movimento de produção tecnológica. “Não é só pegar a meninada e ensinar a utilizar as tecnologias das Big Techs, mas pensar como eles podem produzir tecnologia”, propôs.

Já Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco e conselheiro do GIFE, opinou que o ambiente de incerteza que vivemos hoje no país não pode nos paralisar, mas anunciar ações de inovação. “As competências do futuro precisam ser desenvolvidas hoje.” Para isso, ele convidou a ampliar a conversação com públicos que não estavam incluídos nesse diálogo.

Outra questão-chave foi a importância de haver referências de ideias e pessoas, nesse movimento de imaginar e criar novos mundos, referências que ofereçam condições de sonhar e realizar. Nessa direção, a vice-governadora do Estado do Ceará, Jade Romero, chamou a atenção para o fomento a lideranças femininas. “Porque, quando elas têm uma oportunidade, elas mudam não somente sua própria vida, mas a de quem está no entorno.”

Em tempos de desafios complexos e transformações aceleradas, o 13º Congresso GIFE reafirma a urgência de imaginar futuros mais justos, inclusivos e sustentáveis e, mais do que isso, de agir coletivamente para torná-los realidade. Mobilizar, conectar e transformar como um compromisso na construção de país que ainda pode e precisa ser reinventado.

“Nós, brancos e ricos, precisamos começar a nos fazer perguntas difíceis”, provocou Abigail Disney, durante abertura do 13° Congresso GIFE, em Fortaleza

Crédito: GIFE

Provocações sobre justiça social, redistribuição de poder e fortalecimento da sociedade civil dão o tom da abertura do 13º Congresso GIFE

Numa provocação que convidou o público a pensar sobre equidade, Abigail Disney, filantropa, ativista e uma das herdeiras de Walt Disney, foi direta: “principalmente nós, brancos e ricos, precisamos começar a nos fazer perguntas difíceis, e mudar a nossa forma de posicionamento para poder transformar o mundo”. Ela compôs a mesa de abertura do 13º Congresso GIFE que, neste ano, tem como tema “Desconcentrar poder, conhecimento e riquezas”, e reúne um total de mil participantes de dentro e fora do Brasil, até o próximo dia 9 de maio, em Fortaleza (CE).

Abigail destacou a importância da sociedade civil compreender o impacto da construção e do fortalecimento de ações conjuntas e intencionais, que incluam todas as pessoas. Em sua fala, instigou a respeito do acúmulo de capital e poder, e reforçou que apenas uma parcela da população tem acesso ao capital social e político. Segundo ela, a população pobre e de classe média doa em média 20% de seus ganhos, enquanto os ricos, apenas 9%.

Para que uma sociedade mais equânime seja possível, destacou Abigail, é fundamental que quem concentra poder e riqueza esteja disposto a abrir mão de privilégios e isso inclui discutir, de forma séria, a taxação de grandes fortunas. Segundo ela, essa é uma das medidas estruturantes para redistribuir não apenas recursos, mas também oportunidades e vozes.

A abertura contou também com a participação da presidente do Conselho de Governança do GIFE, Inês Lafer, e do secretário-geral do GIFE, Cassio França. Em sua fala, Cassio destacou que a filantropia não pode ser de forma apenas incremental, mas disruptiva. “Filantropia no Brasil não pode ser pouco, em número ou quantidade. É preciso ser muito, porque nosso país é muito desigual. Queremos uma filantropia que, de fato, desconcentre poder, conhecimento e riqueza, e ajude a tornar nosso país mais equânime.”

Além disso, o secretário-geral do GIFE destacou a importância de se olhar diretamente para os territórios. “A diversidade não está nos institutos e fundações, está nessas pessoas que estão vivendo a realidade todos os dias”, assinalou. 

Inês Lafer ressaltou que, ao longo dos anos, a cada edição, o GIFE tem impulsionado ações que fortalecem a governança e, consequentemente, promovem um maior equilíbrio racial e de gênero. “O Investimento Social Privado (ISP) e o próprio GIFE estão mais maduros e, por isso, podemos trabalhar com assuntos mais complexos”, finalizou a conselheira.

Tudo pronto para o 13º Congresso GIFE

maio 1, 2025

Faltam poucos dias para começar o 13º Congresso GIFE – Desconcentrar poder, conhecimento e riquezas. Esperamos que já esteja tudo preparado para sua participação no evento, mas, para garantir uma experiência completa, listamos algumas dicas para uma chegada tranquila:

  • Fortaleza é uma cidade conhecida pelas altas temperaturas. Por isso, dê preferência a roupas leves, use protetor solar e hidrate-se;
  • O evento será realizado de 7 a 9 de maio no seguinte endereço: Av. Eng. Luiz Vieira, 555, Bairro: Papicu, em Fortaleza. 
  • No primeiro dia, recomendamos a chegada às 8h para evitar filas. Sugerimos o uso de aplicativos de transporte/táxi. Organize seu trajeto com antecedência, pois a demanda pode estar alta.
  • Para sua comodidade, utilize a chapelaria para guardar bolsas e malas grandes.
  • Outra informação importante é conhecer o Código de Conduta do 13º Congresso GIFE.
  • Confira os horários das mesas e atividades que você irá participar, bem como o nome de cada sala.
  • Preparamos um Guia com tudo que você precisa saber para aproveitar ao máximo o 13º Congresso GIFE. Baixe agora.
  • Quer divulgar a sua participação nas redes sociais? Preparamos um Kit para Participantes e Kit Instituições. Confira.

Chico César é principal atração cultural do 13º Congresso GIFE

abril 25, 2025

Inscritos no evento poderão retirar seus ingressos durante o evento;  show terá ingressos gratuitos à população e arrecadação de alimentos para o Programa Ceará sem Fome

O cantor e compositor Chico César será a principal atração cultural do 13º Congresso GIFE, o maior encontro da América Latina sobre Investimento Social Privado, que será realizado em Fortaleza (CE) entre os dias 7 e 9 do próximo mês. O show do artista paraibano será no dia 8, na Estação das Artes — espaço que integra a Rede Pública de Equipamentos Culturais da Secretaria Estadual de Cultura e é gerido em parceria com o Instituto Mirante. 

Autor de sucessos como “Mama África”, “À Primeira Vista” e “Deus Me Proteja”, o paraibano se apresenta na Gare, com acessibilidade em Libras. “Vestido de Amor” é o nome do show que irá trazer canções do álbum homônimo, o mais recente da carreira do artista, lançado em 2022. Nesta obra, Chico César celebra seu encontro e admiração pela África, com onze faixas que vão do forró ao reggae jamaicano, passando pelo calipso, rumba zairense, coco e rock.

Reconhecido não só pelas suas letras como também por ser um melodista eclético, que absorve múltiplas referências e linguagens musicais, o paraibano de Catolé do Rocha aposta na profusão de ritmos e encontros dentro de uma proposta panafricanista, tanto que o próprio álbum foi o primeiro de Chico totalmente produzido no exterior. O disco conta com as ilustres participações de Salif Keita e Ray Lema, dois grandes nomes da música africana. Além destas composições, o público ainda poderá ouvir clássicos dos 35 anos da trajetória de Chico César. A abertura do show será com o DJ cearense Nego Célio Ele apresenta a discotecagem “Salada Sonora Brasileira”, um projeto que contempla uma diversidade de ritmos e gêneros nacionais, indo do samba rock ao forró e contemplando também a música nordestina e ancestral. 

Os participantes do 13º Congresso GIFE devem retirar seus ingressos durante o evento; já os ingressos para a população de Fortaleza estarão liberados, gratuitamente, pelo Sympla da Estação das Artes, a partir das 14h desta quarta-feira (30). Serão distribuídos 1,5 mil ingressos por meio desta plataforma [1 ingresso por CPF]. 

Haverá, ainda, a garantia de entrada para mais 500 pessoas, por ordem de chegada no dia do evento, a partir das 18h. O acesso à Estação das Artes só será permitido até 21h. Na ocasião, o público será incentivado a doar 1kg de alimento não perecível (exceto sal) destinado ao Programa Ceará Sem Fome, do Governo do Estado do Ceará, que atende pessoas em situação de vulnerabilidade.

SERVIÇO

13º Congresso GIFE — Show “Vestido de Amor” de Chico César

8 de Maio, das 18h às 22h

Local: Estação das Artes – R. Dr. João Moreira, 540 – Centro, Fortaleza

Inscritos no Congresso GIFE deverão retirar seus ingressos durante o evento. 

Ativista Abigail Disney confirma vinda ao Brasil para 13º Congresso GIFE

abril 22, 2025

A ativista, documentarista e filantropa Abigail Disney — uma das herdeiras de Walt Disney — virá ao Brasil para participar do 13º Congresso GIFE – Desconcentrar Poder, Conhecimento e Riquezas. Promovido pelo GIFE, em Fortaleza (CE), o encontro reunirá mais de mil lideranças nacionais e estrangeiras do setor. 

Com 64 anos de idade, Abigail Disney herdou, aos 21, uma fortuna de 10 milhões de dólares deixada pelo tio-avô. Estima-se que, de um patrimônio atual na casa de 500 milhões de dólares, ela tenha doado mais de 70 milhões de dólares a causas relacionadas com mulheres em situação de vulnerabilidade. 

Entre as bandeiras de seu ativismo, Abigail também defende a taxação de super-ricos. Em 2023, juntou-se a mais 200 milionários que, em carta aberta ao Fórum Econômico de Davos/Suíça, pediram que eles fossem tributados “para o bem comum”. No mesmo ano, ela foi presa em Nova York/EUA por participar de um bloqueio no aeroporto regional de East Hampton/Wainscott durante protesto contra jatos particulares “de ricos investidores em combustíveis fósseis e poluidores”.

O convite para uma mulher como Abigail Disney ser uma das principais personalidades do 13º Congresso GIFE também busca incentivar a ampliação da diversidade de gênero no Investimento Social Privado: um dos principais desafios do setor no Brasil.  

O estudo qualitativo inédito “Olhares do ISP: reflexões e análises à luz do Censo GIFE“, de 2024, ressaltou a concentração de pessoas brancas em espaços de tomada de decisão, como os conselhos deliberativos e o quadro de lideranças executivas das maiores instituições filantrópicas do país associadas ao GIFE. Outra pesquisa referência para o setor, o Censo GIFE 2022-2023 também constatou, em números, que cerca de dois terços das cadeiras nestes conselhos são ocupadas por homens. 

“Não se pode mais ignorar questões que demarcam as brutais desigualdades em nossa sociedade, principalmente de gênero e raça. É urgente a busca de condições para um planeta socialmente mais equânime e ecologicamente habitável”, enfatiza o secretário-geral do GIFE. “Nesta 13ª edição, o propósito do Congresso é avançar na direção de um Investimento Social Privado ainda mais comprometido com efetivas transformações sociais e o desenvolvimento sustentável”, reforça Cassio França.

O 13º Congresso GIFE — Desconcentrar Poder, Conhecimento e Riquezas tem o apoio da Fundação ArcelorMittalFundação ItaúValeFord Foundation e Open Society. A vinda de Abigail Disney é uma parceria GIFE, Elas+ Doar para Transformar, Aliança de Fundos de Mulheres e Feministas da América Latina e do Caribe (LAC) e Prospera – International Network of Woman’s Fund.

As inscrições para o evento estão esgotadas.