Fonte: GIFE
Painel destacou a colaboração como ferramenta de descentralização, abordando a desigualdade nos variados âmbitos e esferas de atuação
Como a filantropia colaborativa pode fortalecer iniciativas locais, ampliar o impacto social e impulsionar soluções alinhadas às necessidades regionais, com foco na redução das desigualdades e no fortalecimento do ecossistema de impacto. O painel Filantropia colaborativa como ferramenta de descentralização, realizado no 13º Congresso GIFE, debateu como o investimento social pode garantir a distribuição estratégica e equitativa de recursos, promovendo o desenvolvimento sustentável em diferentes territórios.
Mediado por Gabriel Cardoso, gerente-executivo do Instituto Sabin, o encontro abordou o impacto e os desafios que a reunião, união e troca de saberes de instituições diversas em torno de um objetivo comum pode gerar descentralização de maneira sistemática. Para isso, segundo ele, seria preciso diálogo, buscando compreender questões em comum entre indivíduos e instituições. “Outro aspecto da colaboração é justamente a parte que cada instituição chega com um capital diferente mas igualmente importante”, apontou.
Leandra Santos, analista de Responsabilidade Social no Instituto Bancorbrás propôs a prática de um olhar atento para compreender e se unir em torno de causas e mobilizações relevantes: “uma grande terapia, porque as nossas dores, enquanto instituto, por diversas vezes é a mesma de quem tá do nosso lado”.
Nesse sentido, Leila Republicano, representante do BRB – Banco de Brasília, reforçou a importância de se reunir em torno de pontos comuns, como a capacitação de organizações sociais para se alcançar um melhor acesso ao conhecimento. “Se a gente acredita que o trabalho em rede faz a diferença, que fortalece o sistema, nada mais apropriado do que juntar os investidores para potencializar os programas. Quando se faz isso, tem um impacto muito maior”, observou.
Abordando a agilidade que se precisa ter ao desenhar estratégias que possam sair de ações pontuais para desenvolver ações sistemáticas, Josandra Rocha, analista de projetos na Fundação André e Lucia Maggi (FALM), asseverou: “Pensar rápido, agir rápido e pensar a colaboração de maneira rápida”. Ela enfatizou o desafio de abrir mão da individualidade, para se pensar no conjunto e no objetivo comum que norteia os processos de colaboração. “É difícil sair do que você quer como pessoa. Ainda mais quando se está dentro de um PJ, lidando com os anseios de outros CPFs.”
Já Duda Scartezini, co-fundador dos Impact Hub em Brasília, Goiânia, João Pessoa, Fortaleza, Recife e Belém, trouxe a visão de articulador e da instituição dinamizadora. Para ele, essa relação engloba a necessidade de conectar e fazer o impacto chegar na ponta, através de equipes capazes de pensar o global e agir no local. “Montar times autônomos, que são capazes de fazer acontecer nos seus estados e impactar nacionalmente”, indicou.
Entende-se que a colaboração é uma ferramenta de alto impacto, mas também de extrema complexidade, fazendo com que os atores envolvidos estejam constantemente voltando-se para aquilo que os uniu e usando-a como norteadora na busca pela compreensão dos diferentes valores, processos, governança e cultura que os envolvem.