Fonte: GIFE
Ao traçar um panorama das singularidades locais, o Ceará é visto como estado catalisador de iniciativas entre setores. Ainda enfrenta, porém, disparidades de investimento entre regiões
O fato de o 13º Congresso GIFE ter sido sediado em Fortaleza (CE), após quinze anos com base na cidade de São Paulo, pode ser visto como uma boa ocasião para se perceber e discutir que tipo de particularidades cada região do País apresenta em seu panorama de filantropia e investimento social privado (ISP). No painel O estado da arte da filantropia e ecossistema de impacto no Ceará – Fortalezas e desafios, o estado figurou como o centro da discussão, apresentando suas experiências exitosas e possíveis frentes de aprimoramento para que emerjam iniciativas inovadoras e atores cada vez mais engajados.
Mediador do debate, Marcos Tardin, gerente-geral da Fundação Demócrito Rocha, apresentou o Ceará como uma “enzima”. As enzimas são catalisadores biológicos, que aceleram reações químicas no organismo dos seres vivos. Compreendendo essa metáfora, de acordo com ele, o estado funcionaria como um propulsor da atividade na região Nordeste, promovendo a conexão entre atores e organizações, e oferecendo condições para se formular e realizar projetos de impacto. “A gente junta muitos atores diferentes de uma maneira que não é muito comum em outros locais do país”, afirmou.
Nesse sentido, Viviane Mansi, diretora de Relações Corporativas da Diageo, destacou que uma boa maneira de pensar e mensurar o impacto dessas ações é sua capacidade de transcender os muros das organizações, atuar coletivamente. “A gente amplia fundamentalmente por meio de parcerias”, apontou.
Um exemplo é o Pacto Contra a Fome, uma parceria com o Governo do Estado do Ceará, apresentado por Rafaela Vieira, gerente de Políticas Públicas do programa. Segundo ela, sem a comunicação entre os setores público e privado, isso não seria possível. “Sem o diálogo, a gente não vai resolver nenhum grande problema no nosso país”, constatou.
Bia Fiuza, diretora institucional do Instituto de Música Jacques Klein (IMJK) e conselheira do GIFE, ressaltou a importância de se depreender as singularidades de cada contexto para a construção de projetos de maior impacto. “Se não houver escuta, se não houver compreensão do território, se não houver humildade, colaboração e fizer junto, as coisas não acontecem.”. Ela descreveu o Ceará como um estado com “calor em todos os sentidos”, e destacou a importância desse fator para as relações humanas.
Como participante e assistente de educação educativa do Instituto Jacques Klein, Seanne Cristina testemunhou sobre o impacto das ações na organização em sua vida. Ela contou que ingressou aos 19 anos de idade no instituto, como auxiliar de serviços gerais, e já foi alcançada em diversas outras frentes de atuação. “Nesse tempo em que eu estava no instituto, consegui estudar, para poder ter novos conhecimentos. E, entrando no instituto como auxiliar de serviços gerais, eu não imaginava que lá dentro ia me enxergar em outros espaços”, narrou.
Mônica Fernandes, fundadora da consultoria Empoderar-Te, criticou a concentração de serviços dinamizadores na Regional 2 de Fortaleza, que reúne bairros nobres como Aldeota, De Lourdes, Dionísio Torres, Joaquim Távora, Meireles, Mucuripe e Papicu. Segundo ela, locais de maior impacto e mais volumosos faturamentos. Em contraste, a maioria dos negócios se encontraria em bairros da periferia da capital. Ela criticou essa discrepância: “A gente conseguiu fazer um diagnóstico nesse mapeamento e percebeu que os dinamizadores se concentram aqui, na região de Regional 2, e os negócios estão espalhados na periferia. (…) Precisamos de mais dinamizadores fortalecidos em todas as regionais de Fortaleza”, observou.