Crédito: GIFE
Segundo dia do 13º Congresso GIFE refletiu sobre territórios, suas realidades e desafios que envolvem esse vetor democrático de transformação social
Em uma mesa diversa e plural culturalmente, o comprometimento com a escuta e as relações com os territórios pautou a conversa, com a consciência de que transformar realidades exige mais do que boas intenções, mas uma atitude ativa, comprometida e situada.
Nesse sentido, Carola Matarazzo, diretora-executiva do Movimento Bem Maior, reforçou: “a gente precisa enxergar o que não está explícito. Tem muito do ‘não dito’. Quem vai para o território vem do ‘não dito’”.
Joaquim Melo, líder popular e criador do Banco Palmas, abordou que os interesses que moldam a filantropia devem vir de baixo para cima, ou seja, partir das organizações da sociedade civil, o que, por sua vez, demanda escuta por parte do Investimento Social Privado (ISP). “Ela [filantropia] vai compartilhar, ela pode distribuir, mas, principalmente, ela pode convencer as comunidades de que o conhecimento é endógeno”, reforçou.
“Os territórios têm muito por ensinar, e a gente tem muito por aprender”, afirmou Benilda Brito, coordenadora do N’zinga Coletivo de Mulheres Negras de MG, ao falar sobre comunidades como os quilombos, as favelas e as aldeias, que já possuem suas próprias dinâmicas e soluções. Em um segundo momento, Benilda reforçou a necessidade de mudanças no enfrentamento do ISP aos diversos racismos. “A gente também sabe elaborar. Band aids não vão sarar nossas fraturas expostas. Vamos precisar fazer muito mais para transformar, e a escuta é fundamental”, comentou Benilda.
O escritor Kaká Werá convidou a plateia a reverenciar o território no qual acontece o Congresso, por meio de uma canção amazônica de conexão com a terra, água, vento, fogo, coração e pessoas. “Nossa ideia de território não é fixa. Nossos antigos se moviam seguindo o ritmo de acordo com os limites da terra e escutando até a necessidade da nossa ausência”.
Já Mariana Almeida, diretora-executiva da Fundação Tide Setubal, defendeu a presença no território a partir de escuta e aprendizado com a realidade local. “Não é consultar. É entender nessa relação comprometimento genuíno na presença e permanência a longo prazo”, detalhou.
Marcha das Mulheres Negras: presente!
No encerramento da plenária os participantes foram surpreendidos com a presença de Naiara Leite, representante da Marcha Mundial das Mulheres Negras, que convidou a sociedade civil e o ISP a enxergar a Marcha não como evento, mas como um processo. “Não tem democracia, não tem vida, não tem território nesse país a ser pensado se o debate de enfrentamento ao racismo não for central”, destacou.