{"id":4649,"date":"2021-03-03T09:11:48","date_gmt":"2021-03-03T12:11:48","guid":{"rendered":"https:\/\/congressogife.org.br\/2020\/?post_type=palestra&#038;p=4649"},"modified":"2021-05-28T15:35:23","modified_gmt":"2021-05-28T18:35:23","slug":"grantmaking-e-fortalecimento-da-sociedade-civil","status":"publish","type":"palestra","link":"https:\/\/congressogife.org.br\/2020\/palestra\/grantmaking-e-fortalecimento-da-sociedade-civil","title":{"rendered":"Grantmaking e Fortalecimento da Sociedade Civil"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-file\"><a href=\"https:\/\/congressogife.org.br\/2020\/wp\/media\/2021\/05\/12-GRANTMARKING-1.pdf\">12-GRANTMARKING-1<\/a><a href=\"https:\/\/congressogife.org.br\/2020\/wp\/media\/2021\/05\/12-GRANTMARKING-1.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar<\/a><\/div>\n\n\n\n<p>Historicamente, a filantropia e o ISP brasileiro, enquanto setor, concentram-se na execu\u00e7\u00e3o de projetos pr\u00f3prios. Segundo dados do Censo GIFE (2019), 23% das organiza\u00e7\u00f5es respondentes s\u00e3o essencialmente financiadoras, 40% essencialmente executoras e 38% h\u00edbridas, ou seja, utilizam as duas estrat\u00e9gias nos seus diferentes projetos e programas. O termo que \u00e9 amplamente utilizado na filantropia em \u00e2mbito internacional para nomear estrat\u00e9gias de repasse de recursos financeiros para terceiros, via estrat\u00e9gias de doa\u00e7\u00e3o, \u00e9 <em>grantmaking<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que n\u00e3o exista estrat\u00e9gia certa ou errada em abstrato \u2013 sem considerar uma an\u00e1lise profunda do contexto e dos objetivos da atua\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 poss\u00edvel elencar uma lista extensa de vantagens em se adotar o<em> grantmaking<\/em> como estrat\u00e9gia: o fortalecimento da sociedade civil organizada; a oportunidade de fomentar e fortalecer a pesquisa e a ci\u00eancia, a gest\u00e3o e as pol\u00edticas p\u00fablicas, os neg\u00f3cios de impacto social e outras organiza\u00e7\u00f5es de apoio a eles; maior conex\u00e3o com movimentos de base; a pr\u00e1tica do exerc\u00edcio da solidariedade, fundamental para a constru\u00e7\u00e3o do nosso tecido social; a valoriza\u00e7\u00e3o e potencializa\u00e7\u00e3o dos saberes e experi\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es apoiadas; a possibilidade para que investidores sociais possam apoiar causas com as quais n\u00e3o poderiam se envolver de maneira mais direta por raz\u00f5es variadas; estruturas mais enxutas para gerir seus investimentos sociais, entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por tudo isso que, nos \u00faltimos anos, o padr\u00e3o hist\u00f3rico de atua\u00e7\u00e3o vem mudando em dire\u00e7\u00e3o a um investimento social mais doador. O Censo GIFE 2018 apontou um crescimento de organiza\u00e7\u00f5es que doaram recursos financeiros para terceiros, passando de <a href=\"https:\/\/mosaico.gife.org.br\/censo-gife\/infograficos\/2\">21% em 2016 (595 milh\u00f5es de reais) para 35% em 2018 (1,1 bilh\u00e3o de reais)<\/a> e dobrando o volume doado. Para al\u00e9m dos n\u00fameros, as reflex\u00f5es sobre como fazer <em>grantmaking<\/em> ganharam espa\u00e7o e import\u00e2ncia e temas como apoio institucional, confian\u00e7a e <em>grantmaking<\/em> participativo se apresentam como fronteiras a serem superadas e aspectos a serem desenvolvidos. No GIFE, criamos em 2018 a <a href=\"https:\/\/gife.org.br\/atuacao-em-rede\/grantmaking\/\">Rede Tem\u00e1tica de<em> Grantmaking<\/em> <\/a>e em 2020 lan\u00e7amos o <a href=\"https:\/\/grantlab.gife.org.br\/\">Portal<em> Grantlab<\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a pandemia, o contexto emergencial deu tra\u00e7\u00e3o a esse movimento. Pela primeira vez, a utiliza\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de <em>grantmaking<\/em> prevaleceu em rela\u00e7\u00e3o a op\u00e7\u00e3o pela execu\u00e7\u00e3o de iniciativas pr\u00f3prias: 59% dos respondentes da pesquisa Emerg\u00eancia Covid-19, realizada pelo GIFE, utilizaram estrat\u00e9gias de financiamento de iniciativas de terceiros e 50% realizaram projetos pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a experi\u00eancia na a\u00e7\u00e3o emergencial, devido a sua urg\u00eancia e velocidade de resposta, tamb\u00e9m modificou a forma de fazer <em>grantmaking<\/em>: houve maior flexibilidade, simplifica\u00e7\u00e3o de processos, menos controle e mais autonomia para as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil do que acontece na atua\u00e7\u00e3o regular. Houve ainda investidores que, conscientes da fragilidade das OSCs, decidiram focar parte dos seus recursos para o apoio institucional a essas organiza\u00e7\u00f5es e a outros grupos, como microempreendedores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, h\u00e1 muito espa\u00e7o para avan\u00e7ar. Ainda que tenham sido fundamentais na resposta \u00e0 emerg\u00eancia, as OSCs foram profundamente afetadas pela pandemia e o tema da mortalidade das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil ou \u201cextin\u00e7\u00e3o em massa\u201d de grantees (DALBERG, 2020) em 2020 apareceu como grande preocupa\u00e7\u00e3o dos envolvidos no terceiro setor. E n\u00e3o sem motivo: em maio de 2020, 46% das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil respondentes do estudo Impacto da Covid-19 nas OSCs Brasileiras afirmaram ter or\u00e7amento dispon\u00edvel para operar por, no m\u00e1ximo, mais tr\u00eas meses, enquanto somente 9% apontaram conseguir antever disponibilidade or\u00e7ament\u00e1ria para mais de 12 meses de opera\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esta oficina quer debater: como ampliar a pr\u00e1tica do <em>grantmaking <\/em>no Brasil? E como qualificar e diversificar as estrat\u00e9gias de <em>grantmaking<\/em> de modo que estejam, cada vez mais, a servi\u00e7o de mais justi\u00e7a, equidade, garantia de direitos e de transforma\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas nas rela\u00e7\u00f5es de poder? Como fazer com que os recursos filantr\u00f3picos tamb\u00e9m estejam a servi\u00e7o do fortalecimento institucional das OSCs?<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Historicamente, a filantropia e o ISP brasileiro, enquanto setor, concentram-se na execu\u00e7\u00e3o de projetos pr\u00f3prios. Segundo dados do Censo GIFE (2019), 23% das organiza\u00e7\u00f5es respondentes s\u00e3o essencialmente financiadoras, 40% essencialmente executoras e 38% h\u00edbridas, ou seja, utilizam as duas estrat\u00e9gias nos seus diferentes projetos e programas. 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